Vista da Baía do Sancho e do morro Dois Irmãos a partir de mirante no arquipélago de Fernando de Noronha.
Quase 340 quilômetros mar adentro, onde já não se vislumbra a costa, a ilha de Fernando de Noronha, um paraíso natural protegido pelas leis ambientais, sofre a pior seca dos últimos 50 anos, que esgotou seu único manancial de água doce. Sem chuva desde junho, os quase três mil habitantes da ilha e os turistas que ocupam as 1.400 camas disponíveis sofrem com cortes de água e sobrevivem com a que chega desde a única usina dessalinizadora da ilha, que agora não consegue abastecer todos.
Apesar do trabalho incansável dos caminhões-pipa que percorrem a ilha durante o dia todo transportando água dessalinizada, a prefeitura de Fernando de Noronha teve de dividir seu território em oito áreas, e cada uma recebe água um dia em nove. Quando a temporada de chuva passou, os moradores da ilha, descoberta por Américo Vespúcio em uma de suas primeiras viagens, recebiam água um dia a cada cinco, abastecimento que foi diminuindo conforme caíam as reservas.
A dependência do manancial para abastecer os moradores é complementada com uma bateria de quatro dessalinizadoras que transformam a água do mar em água potável. Quando cheio, o manancial tem capacidade para acumular 411 mil metros cúbicos de água, os moradores têm o fornecimento garantido, já que a maioria dos lares contam com depósitos.