Ex-prefeito de Mata de São João, João Gualberto.
O governador Jaques Wagner (PT) defendeu, publicamente, a reforma política como alternativa para minimizar o “inchaço” da máquina, resultado das coligações partidárias feitas nas esferas estadual e federal. “Essa justificativa é típica de governante que leiloa os cargos públicos durante a campanha e ainda durante a administração. Como fez o próprio Wagner que, mesmo tendo a maioria na Assembleia Legislativa, tenta esmagar a oposição criando e ofertando secretarias aos possíveis novos aliados e, assim, aumentando os gastos públicos”, desabafou Gualberto.
O ex-prefeito de Mata de São João lembra ainda da recente entrevista do governador à Veja na qual admite a existência do Mensalão e explica o episódio como resultado de um planejamento político de eleger 1500 prefeitos da base aliada em 2004 para preparar terreno para a reeleição de Lula em 2006. “Essa resposta de Wagner elucida qual é o jogo político típico de governantes, como ele, que pensam apenas na reeleição ou sucessão, sem o mínimo compromisso com a saúde, educação, mobilidade urbana. Mesmo agora, quando o povo clama por serviços públicos de qualidade, Jaques Wagner está preocupado em defender uma Reforma Política, que não vai valer para 2014, mas que serve para tirar o foco da falta de resultados concretos da sua administração”, declara o pré-candidato do PSDB ao governo da Bahia, que aposta numa Reforma Política séria, estrutural.
Padrão bem diferente do que está sendo defendido por Wagner que aceita o financiamento público de campanha e quer impor o Voto em Lista Fechada, cujo modelo estabelece que os candidatos sejam escolhidos pelos líderes dos partidos. “Isso só interessa a uma minoria que detém o poder, como acontece na Venezuela e Bolívia. O Voto em Lista Fechada fere a democracia. Tira do povo o direito de escolha dos seus representantes no Legislativo. As escolhas dos candidatos ficarão a cargo dos caciques dos partidos que, longe dos olhos da população, da transparência dos atos e, consequentemente, da pressão popular, poderão fazer qualquer negócio”, argumenta Gualberto.