BAHIA EXTRA
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Atenção: O dia em que um terremoto assombrou Ibicaraí

Imagens ilustrativa, (arquivo: Tribuna de Ibicaraí).

Escrito por José Nilton Calazans

   Ibicaraí sofreu um forte tremor de terra no dia 19 de maio de 1976. Foi um corre-corre tão grande que o Brasil inteiro naqueles dias voltou os olhos para Ibicaraí. Vários jornalistas vieram ao município para entrevistar os assustados moradores. A revista Manchete mandou uma equipe e fez uma longa reportagem, em que destacava os estragos.
   Segundo a revista, "Oscar de Queiroz Mata, diretor da Academia Montenegro em Ibicaraí, explica que o prédio está ameaçado, por causa do terremoto". Outros pontos da cidade também ficaram prejudicados. "Na Praça 7 de Abril, orgulho do município, o tremor causou fissuras nos muros. O prefeito Henrique Oliveira explica o fenômeno: 'Primeiro, houve uma explosão forte, como de uma bomba debaixo do chão'.'' As muitas casas de taipa com reboco malfeito daquela época foram as que mais sofreram. O prefeito disse aos repórteres que não sabia a que autoridade federal deveria apelar, para providências.
   Vários especialistas de todo o Brasil passaram a semana inteira dando palpites sobre o que ocorreu em Ibicaraí. O professor Shiguemi Fujimori, na época com 43 anos, formado em Engenharia de Minas pela Escola Politécnica da USP e que ensinava Mineralogia no Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia, disse que Ibicaraí não está na área de ocorrências de terremotos.
    Ibicaraí é constituída de rochas granulíticas e gnáissicas, profundamente decompostas por causa do clima muito chuvoso reinante na região. São terrenos estáveis. Os terrenos constituídos por essas espécies de rochas são considerados estáveis, não oferecendo perigo de terremotos intensos como os que se verificaram em outros países.
   Apesar de o estado da Bahia na época não dispor de sismógrafo, os especialistas calcularam o tremor de Ibicaraí em 3.8 graus na escala Richter, considerado de baixo impacto. Outros dois tremores ainda chegaram a ser relatados pelos moradores naquele ano. Um em 11 de agosto, de 3.5 graus, e outro em outubro, de 3.4. O grau desses tremores é tão baixo que os prejuízos devem-se quase sempre à má qualidade das construções.
   O abalo de Ibicaraí foi explicado por técnicos do Instituto de Geofísica da Bahia como simples "acomodação de terras do subsolo, constituído de rochas calcárias". Os então professores da Universidade de São Paulo, Sérgio Amaral e André Davino, disseram à imprensa que o caso de Ibicaraí pareceu, a princípio, incluir-se nos terremotos provocados pela dissolução de rochas pelas águas subterrâneas. É uma região calcária, onde pode ocorrer o desmoronamento de cavernas profundas. Esse tipo de terremoto é geralmente de pequena intensidade. 
   No entanto, os moradores de Ibicaraí duvidavam das interpretações da Ciência. Alguns pensaram em mudar: "Antes que o mundo acabe", conforme relatos dos jornalistas na ocasião.
   O poeta de histórias de cordel Minervino Francisco Silva, de Itabuna, o "trovador apóstolo", não perdeu tempo e fez o seu famoso "História do tremor de terra em Ibicaraí e os sinais do fim dos tempos". Um dos versos dizia o seguinte:
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